
Hoje, escrevo com o coração apertado, mas também cheio de gratidão por ter convivido com um homem como Roldão, o nosso querido Roldão Ferragens.
Filho de seu Benedito Pinheiro Borges, ele nunca teve medo da responsabilidade. Quando seu Benedito precisou deixar o comércio para trás e seguir para Natal, Roldão, recém-saído do Exército e ainda sem alternativas de emprego, fez aquilo que só os fortes fazem: arregaçou as mangas e encarou a vida de frente.
Herdou o comércio com pendências, com dificuldades, mas também com a chance de reescrever sua própria história e ele não recuou. Passou a cuidar do negócio e, junto disso, dos irmãos que ficaram em João Câmara: Sebastião, Ridon; e Luiz Carlos, o Totó. Ali começava a batalha que moldaria o homem admirável que todos nós tivemos o privilégio de conhecer.
Com esforço, suor, humildade e uma fé enorme, transformou cada obstáculo em degrau para o futuro.
Mais tarde, encontrou o amor de sua vida, Ivanilda, com quem formou uma família linda, fortalecida e guiada pela fé.

Dessa união vieram seus quatro filhos: Roldão Filho, Ilana, Martina e Kênia, que sempre foram seu orgulho e sua maior motivação. Com a graça de Deus, prosperou, abriu lojas, construiu caminhos, criou raízes e se tornou símbolo de trabalho honesto, compromisso e coração gigante.
Mas minha história com ele começou muito antes dessa despedida triste.
Há 21 anos, quando iniciei minha carreira como representante comercial, eu era praticamente um menino. Não sabia como as coisas funcionavam, não entendia o ritmo das vendas, nem como lidar com o mundo do comércio. E, no meio dessa minha inexperiência, lá estava ele.
Sempre me ajudando.
Sempre com suas piadas.
Sempre com aquele sorriso largo que iluminava qualquer ambiente.
A felicidade dele transparecia, contagiava, mudava o meu dia e de quem estivesse por perto. Mesmo quando a rota estava “fraca”, quando a viagem de João Câmara para frente parecia desanimada, tudo mudava ao chegar no seu comércio porque ele tinha o dom de transformar qualquer momento em leveza.
Ele era tão amigo do meu pai, Edinho Morais, que parecia inevitável que eu também seguisse seus passos: no comércio, na vida, no jeito de lidar com as pessoas.

Hoje percebo que muito do que aprendi sobre caráter, parceria e humanidade veio dos exemplos que ele deixava, mesmo sem perceber.
E agora, enquanto escrevo, as lágrimas chegam sem pedir licença, trazendo lembranças dele, da família, dos momentos que marcaram minha trajetória. Assim como fui um grande amigo dele e antes disso, ele já havia sido um grande amigo do meu pai hoje sou também um grande amigo de seu filho, Roldãozinho, e quero que ele saiba:
Nós sentimos a sua dor.
Compartilhamos da saudade.
E estamos com vocês de coração aberto e mãos estendidas.
Roldão cumpriu seu propósito na terra.
Deixou um legado enorme: de trabalho, de amor à família, de coragem, de fé e de amizade verdadeira.
Para mim, foi mais do que um cliente fiel. Foi um amigo, um sorriso certo nos dias incertos.
E será lembrado assim:
com respeito, com amor e com a certeza de que sua história jamais será esquecida.
Hoje não falo em nome da família Zona Sul,
Mas da Família Edson Comércio e Representações.